sexta-feira, 23 de junho de 2006

A rosa-dos-ventos já não indica qualquer rumo porque há muito perdeu as pétalas. Restam apenas espinhos que, não indicando um rumo específico, fazem com que todos eles pareçam difíceis e tortuosos.

Vogando vagamente nas vagas em voga, segurando o leme, à procura de bons ventos que levem a bom porto; a bordo, enquanto o vento sopra ora de bombordo ora de estibordo, controlando o casco, curando a quilha da popa até à proa, sem nunca dar à ré.

Senhor do destino não acredita nem no seu nem no de ninguém. A vida é o que dela faz e o que dela é feita... E o que é feito dela?! Boa fortuna traz a ilusão de controlo que se revela traidora, ameaça afundar e prenuncia naufragar.

Sem rumo e sem rum, sem rato e sem rolha, sem corda e sem bóia, sem destino ou descanso, aguenta a violência de tudo menos a do mar.

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