sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Pinga o nariz como que a chover no molhado. Um lenço de papel deixa-o irritado; vermelho. Espirra para manifestar todo o seu descontentamento, e outro lenço irrita-o ainda mais.

Seco ou molhado? Húmido, vá lá – fresco alfacinha! Pintura a óleo em verde alface e vermelho nariz, que são as cores da bandeira nacional. Gripe aviária ou simples estado febril? Alegre alergia ou mania da perseguição? Anti-histamínico ou comprimidos para o coração?

Ter ou não ter? – eis a questão. Pegar ou largar, mas quem ma pegou? Foi a chuva? Foi a gente? Pode ter sido um pato doente. Veio do frio ou com a corrente de ar quente? Apenas sei que me sinto dormente.

A doença deveria incitar ao egoísmo. A doença nasce da partilha, voluntária ou involuntária. Agulhas, sangue e fluídos corporais...até de outros animais!

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Senha ou ticket, para aguardar a nossa vez. Somos um número. Somos o número impresso no papel, acompanhado pela memória da hora de chegada e pela profecia do “tempo de espera previsto”. O LCD ou o plasma pendurado na parede ditará o tempo que ficaremos pendurados até que um funcionário público nos atenda. Questões de tempo são sempre complexas...

"Aguarde s.f.f."?! Haverá outra alternativa? O funcionário esquece (se alguma vez soube) ou ignora (se realmente sabe) as suas funções e maltrata quem, indirectamente, lhe paga. Não se esperem sorrisos e esqueça-se a alegria no trabalho: fossem cinzentos e seriam confundidos com elefantes. Sempre de trombas!

A Segurança Social segura a sociedade durante várias horas. O problema de retenção resolver-se-ia com um laxante social que permitisse evacuar toda a merda mais depressa. Dêem uma cenoura ao bur(r)ocrático.

Agosto é mês de férias para muitos. Um pouco por toda a parte vai-se vendo e ouvindo o slogan “vá para fora cá dentro”. Reformule-se: “vá para fora lá dentro”; que tal passar as férias num qualquer edifício estatal, enterrado em impressos (muitos dos quais desnecessários) esperando em filas intermináveis para resolver problemas que nunca existiram? “Está previsto que você espere 4 horas e 21 minutos” – não é tempo, é destino.

domingo, 13 de agosto de 2006

"Welcome to Hellgarve" – diz a tabuleta sob o sol escaldante, assinalando o fim do alcatrão, recebendo turistas destas e de outras paragens. Exposto ao sol tudo tem sombra mas, nesta terra árida, sombra não se encontra nem em miragens.

Na praia não se frita o bacon nem os ovos para o pequeno almoço; passa-se directamente para o almoço na areia: fritam-se bifes temperados com a bebida da noite anterior. Do espaço a NASA vê o planeta aquecer, a muralha da China, os fogos em Portugal, e a pele vermelha dos veraneantes.

70% dos corpos evapora, e o que sobra tosta, daqueles que gostam do Sol alto e da sombra curta. Veraneantes veteranos vergonhosamente exibem o vermelho substituto do bronze. Invariavelmente o excesso de peso deixa pregas brancas que favorecem o contraste: Seca a pele, seca.

Areia na cabeça daqueles que desejam que a areia espelhe. Espelho meu, espelho meu, há porventura alguém mais moreno do que eu? “Não!” – respondeu o cancro da pele.