domingo, 13 de agosto de 2006

"Welcome to Hellgarve" – diz a tabuleta sob o sol escaldante, assinalando o fim do alcatrão, recebendo turistas destas e de outras paragens. Exposto ao sol tudo tem sombra mas, nesta terra árida, sombra não se encontra nem em miragens.

Na praia não se frita o bacon nem os ovos para o pequeno almoço; passa-se directamente para o almoço na areia: fritam-se bifes temperados com a bebida da noite anterior. Do espaço a NASA vê o planeta aquecer, a muralha da China, os fogos em Portugal, e a pele vermelha dos veraneantes.

70% dos corpos evapora, e o que sobra tosta, daqueles que gostam do Sol alto e da sombra curta. Veraneantes veteranos vergonhosamente exibem o vermelho substituto do bronze. Invariavelmente o excesso de peso deixa pregas brancas que favorecem o contraste: Seca a pele, seca.

Areia na cabeça daqueles que desejam que a areia espelhe. Espelho meu, espelho meu, há porventura alguém mais moreno do que eu? “Não!” – respondeu o cancro da pele.

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