quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Diga-se Auschwitz para evitar dizer-se Oświęcim. Residiu neste lugar/lager o centro de operações da “Solução Final” do Terceiro Reich. Ein Reich, ein Volk, ein Führer. O Reich necessita de espaço, o Volk necessita de ser purificado (desinfectado); e o Führer quer que assim seja necessariamente.

Rudolf Franz Ferdinand Höß passeia-se onde mais tarde será suspenso até que o nó na garganta lhe roube o sopro da vida; ali, onde antes, muitos antes dele, suspiraram e expiraram, guardados pelo arame farpado electrificado e pelos atentos atiradores alemães nas torres de vigia. Arbeit Macht Frei recebe ironicamente os convidados, uma vez que a liberdade resulta não do trabalho mas sim da morte, e a saída definitiva é feita não pelo portão de entrada mas sim pela chaminé do crematório.

A falta de espaço cedo invade Auschwitz que se torna demasiado pequeno para tantos convidados. De Oświęcim a Brzezinka onde nasce Birkenau, vinte vezes maior do que Auschwitz, para provar que as coisas podem sempre piorar. Atravessado o portão da morte, o comboio descarrega os convidados que são imediatamente separados: cabe ao Dr. Josef Mengele decidir sobre questões de aptidão, para que no fim uns morram logo e outros mais tarde. Inaptos em marcha para um banho que nunca irão tomar são aconselhados a escrever o nome nas suas malas e a memorizar o local onde deixam as suas roupas. Despidos e fechados num banho colectivo, esperam a água que nunca chegará enquanto o desinfektionkommando descarrega as latas de “Zyklon-B” no interior do edifício. Fora, a banda toca abafando o desespero dos que não morrem logo.

O lento extermínio preocupa-se com a reciclagem e tudo deve ser aproveitado. O cabelo, ainda que de uma raça inferior, serve para vestir as tropas da raça superior. Dentes de ouro, jóias e outros bens de valor, tudo se armazena no “Canadá” para ajudar a causa purificadora. Quantos, não se sabe ao certo; mas muitos...muito provavelmente.

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