terça-feira, 12 de setembro de 2006

Plutão esquecido, frio, ao longe, foi despromovido. Deixou de ser o que sempre foi desde que foi descoberto para passar a ser o que a distância e a comunidade científica permitem. O sempre gelado deus dos infernos, na sua órbita distante do Sol, é agora visto como nunca visto desde que foi visto pela primeira vez.

O que não se sabe, o que não se vê, o que não se pensa, o que não se acredita, o que não é presente é o que deixa de ser: é passado. Da verdade à mentira, uma traição. E finge-se o que não se sente, sente-se o que se finge não sentir; faz-se de conta que Plutão nunca foi um planeta. Afinal qual a importância? Antes de o conhecermos não nos fazia falta. Que importa quantos são?

Plutão abatido, enfrentou o pelotão de fuzilamento, e foi abatido. Deixou de pertencer ao sistema solar por ser periférico e insignificante. Inevitavelmente a distância e o isolamento resultaram num esquecimento sem dó maior; lá, a gravidade não atrai mais do que uma pena pequena.

Decadente como a chegada do Outono que rouba a vida às cores saturadas do Verão e vai anunciando o fim de um ciclo, o inevitável completar de uma vida. Se prima a Vera, esmera-se o Outono por acabar com o Verão antes que chegue o Inverno...que inferno!

Sem comentários: