quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Anoiteceu (desfez-se luz). O curioso que procurava uma agulha no palheiro acendeu um fósforo provando assim que a curiosidade pode ser uma actividade incendiária; o curioso, ele mesmo um verdadeiro incendiário, um pirómano piromaníaco, adepto fervoroso da piromania incendiária.

Curiosa a curiosidade, tão rara e preciosa característica que anima o desejo de satisfação do espírito e condiciona o corpo à sua vontade. Parece não ter fim o palheiro e a agulha não existir, mas a indiscrição, talvez maior que o palheiro, não deixa d’existir.

Brincando com o fogo aprendemos muito do que sabemos, e a brincadeira não terminará nunca porque o fogo matou o gato e só o gato. A nossa salvação é, no entanto, também uma maldição porque não podemos, mesmo querendo, deixar de brincar com o fogo. E talvez não se evitem alguns suplícios, mas serão sempre como fogo de palha e a curiosidade prevalecerá.

Dinamizando mente e corpo, reduzindo a cinzas tudo mais, a curiosidade é a combustão que terminará quando do corpo já não for dinâmico e estiver preparado, pela decrepitude da mente, também ele, para ser reduzido a cinzas. Venha a lume o natural lume de todos os que não serão senão vítimas desse lume que os consumirá até que nada mais do que cinzas deles reste. Amanheceu (fez-se luz).

1 comentário:

Laura disse...

Beh, incredibile in che cosa ci si può imbattere navigando innocentemente in internet. Ne approfitto per mandarti un bacio e farti i complimenti per le foto.

La quasi-dottoressa in architettura Laura