segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Ao fim do dia regresso a casa. Agora, novamente, na Via Bassini, que é uma rua nos subúrbios da grande cidade e cujo nome é o de um famoso cirurgião italiano do final do século XIX e do início do século XX. Edoardo Bassini é lembrado como autor do método usado ainda hoje (pelo que sei) na cirurgia da hérnia inguinal.

Nesta rua circulam, sempre cor-de-laranja por fora e de todas as cores por dentro, os transportes públicos milaneses que até são bastante pontuais, se levarmos em conta o facto de esta ser uma cidade caótica. O vermelho do semáforo passa a verde. Assim como algumas coisas demoram a mudar; outras, por sua vez, mudam constante e rapidamente. E ainda que a casa se torne lar, o lar transfere-se e a casa muda de lugar. Trata-se afinal de uma estrutura artificial que nos abriga e nos deixa ser. Sem ser para quem não queremos, pouco importa onde é.

Muda a chave no mesmo porta-chaves. Muda a porta. O recheio é, no entanto, menos sujeito a grandes oscilações e mudanças, tal como a música que ecoa entre as paredes ignorando a louça por lavar. Enche-se a casa de recordações para que esta não deixe de ser lar, mesmo que a louça continue sempre por lavar.

Pass(e)ando pela vida sem nunca se ter a certeza do destino, porque afinal não importa tanto assim o “para onde”, mas convém, no entanto, nunca esquecer a nossa origem. Porque pode sempre voltar-se ao ponto de partida; partir novamente e deixar que o destino seja outro. Sempre em casa.

2 comentários:

Anónimo disse...

Edoardo Bassini:tecnica cirurgica cura radical da hernia inguinal por sutura do tendão e musculos oblicuos menor e transverso do arcrural o ligamemto Poupart.Beijo da tua tia

anaalmeida santos disse...

Sim.Nem importa se for errado, se for diferente. (nao deves levar pessoalmente em conta esta frase, acho que foi um pensamento que me ocorreu do que sentia na altura aventureira, em que o mundo era a minha casa)
O retorno, lembra-nos das nossas raizes. Quer queiramos quer nao, deixamos marcas neste nosso percurso. Ou sob a forma de energia, ou sob a forma de vibracoes. E vice-versa... o cheiro deste Porto, as ruas movimentadas, palavroes que sao usados normalmente como virgulas. Chiiii. Ha frases com tantas virgulas...A confusao, a porcaria nos passeios, o cheiro dos fritos em cada esquina, o buzinao, o piropo, os sorrisos... a pronuncia forte desta gente forte, os vs pelos bs.Apaixonante.
Sera de certeza o pouso final... até lá, muda-se a estrutura, mas fica o recheio, que como sabiamente dizes, vai-se mantendo, lembrando que é o lar. Pode nao ser o ninho, mas é o lar...