terça-feira, 28 de novembro de 2006

Acordar de manhã é bom porque antes se esteve a dormir; apenas por isso. E vão-se esgotando os recursos naturais de um mundo que não pode parar. Combustíveis para aumentar a pressão e a impressão da cafeína para aumentar a tensão. Não há fuga, não há válvula nem escape. Toca o despertador.

Por via oral, ainda que por intravenosa talvez fosse melhor, é servida a doce ilusão de poder e de ser capaz de aguentar...é a via, é a vida. É só mais um; mais outro que não o primeiro e seguramente não será o último. Por via das dúvidas.

O trânsito já nem importa enquanto transito pela via da rotina obedecendo a todos os sinais de sentido obrigatório; contorno respeitosamente todas as rotundas que me levam ao ponto de partida que teimosamente se faz passar por ponto de chegada ainda que nunca seja o ponto final. Passageiro é o condutor em trânsito e o tempo à chegada.

Conto-as aos pares para parecerem metade; muitas mais seriam o dobro do que algum dia eu iria ser capaz de suportar. Impaciente, porque parecem nunca mais acabar e quando acabam pouco falta para recomeçarem, transito até novo ponto de partida onde me espera o trânsito de mais um regresso ao mesmo.

sábado, 11 de novembro de 2006

Difícil por culpa do temperamento ou do excesso de personalidade. Feitio, que mais não é do que um efeito cuja causa provém daqueles que me acusam de o ter mau. Fosse a vida um jogo, e o principal objectivo de viver amealhar pontos nos confrontos pessoais, e eu perderia por muitos.

Distracção, verdadeira ou conveniente, usada como sal para dar sabor à vida ou, pelo menos, para disfarçar sabores desagradáveis que se escondem sob a forma de dissabores. Fazer-se de conta e no fim nem pedir a conta; prosseguir sem digerir porque nunca nada aconteceu, percebido? Despercebido...

Uns assumem, outros presumem; uns admitem, outros nem por isso. Convém a coincidência, ainda que fruto de artes e de ofícios, porque pode muito bem tratar-se mais outra. Antes da próxima, mais próxima do que se pode imaginar.

Ignorância servida como vingança; à superfície, calor de microondas contrastando como as casas de um tabuleiro de xadrez onde rei é posto em xeque por ir nu. Mas não terá tempo de o matar a pneumonia porque antes matará uma rara doença sanguínea que lhe afecta os glóbulos azuis. E ele nem imagina... Sangue, ainda que azul, real, e que realmente lhe corre nas veias, não é imune a anemias e outras doenças. Xeque-mate.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Deserto. Não se vê vivalma num espaço aparentemente infinito e o tempo cristaliza-se. Certamente seremos devorados pelas incertezas; de certeza! O céu azul não o é para todos, e quando estamos sozinhos não nos importamos com as cores que outros vêem.

Ignorando o destino, não sabemos quanto caminho nos falta percorrer. Muito ou pouco não é relativo, é absurdo. E ermo não é sinónimo de inóspito; mas por alguma razão ninguém mora aqui. Porquê?

Antes só do que mal acompanhado; mas a sombra teima em acompanhar. Miragem ou utopia? Se fecharmos os olhos ela persiste? E a sombra, continua lá?

Paranóia e insolação, estado mórbido e mania da perseguição. Vaguear devagar, sem mudar de ar, estiagem desidratando a pele suavemente, áspera, à espera da harmonia que suaviza as formas.