domingo, 31 de dezembro de 2006

As últimas deste ano a dar as últimas são sobre questões de fidelidade. O que está em alta? O que está em baixa? Falamos sempre de fidelidade...?! Em alta a fidelidade quando a confiança anda por baixo. É música para os ouvidos a frequência fiel que é reproduzida quando não eliminada à partida. Push Play!

365 dias, e um é dos fieis. Se forem 366, apenas um será dos fieis. Uma vez em cada quatro há mais um dia no ano, não para os fieis mas para todos. E afinal quem tem confiança para ser fiel?

Fiel é nome de cão. Velho, o meu chama-se Zappa. A idade é uma questão de perseverança; fiel, cumpre cada ano como se tivesse nascido a isso obrigado. A fidelidade é inata porque nunca se põe qualquer questão de confiança; e vai-se aguentando.

Invariável a constante, aguenta firme a pressão; não vai em horóscopos e não ouve a mesma canção. Ascendente só quando sobe, ainda que na vida se encontre na curva descendente do seu tempo biológico. Nariz frio, vai à frente e entra primeiro no novo ano; fiel como sempre.

sábado, 9 de dezembro de 2006

“Ela uma vez...” não parece ser forma de começar um conto. Mas eu não conto e já há muito comecei; por isso: Ela uma vez...sorriu! E assim ficou, pelo menos por um momento, naquele momento que não passou; preto no branco, ficou gravado, sem suporte analógico ou digital, numa memória (um) pouco turva que privilegia o cinzento mas é também capaz de reconhecer as demais cores.

Preto no branco o cinzento deixa de ser cor. No nosso que é um mundo de muitas cores e o cinzento dominante passa aparentemente despercebido. Apontam-me o dedo por apontar o meu ao cinzento culpado: indesculpável. E porque as coisas podem sempre ser piores devemos dar graças por assim não serem.

Num quadro preto o giz escreve a branco tudo o que pode ser apagado. Na vida nada se apaga e tudo fica escrito preto no branco. Olhar o mundo e ver cinzento talvez seja forma de fugir à frieza dos factos, esperando sorrisos coloridos, como aquele, capazes de conquistar espaço no espectro luminoso.

As minhas são memórias coloridas. Para tal qual as manter, olho o mundo cinzento fingindo e fugindo mas sem ignorar as cores que rompem a monotonia cromática. E assim elas ficam gravadas; para sempre recordadas e certamente apreciadas. "Ela uma vez...", acaba assim?