sábado, 9 de dezembro de 2006

“Ela uma vez...” não parece ser forma de começar um conto. Mas eu não conto e já há muito comecei; por isso: Ela uma vez...sorriu! E assim ficou, pelo menos por um momento, naquele momento que não passou; preto no branco, ficou gravado, sem suporte analógico ou digital, numa memória (um) pouco turva que privilegia o cinzento mas é também capaz de reconhecer as demais cores.

Preto no branco o cinzento deixa de ser cor. No nosso que é um mundo de muitas cores e o cinzento dominante passa aparentemente despercebido. Apontam-me o dedo por apontar o meu ao cinzento culpado: indesculpável. E porque as coisas podem sempre ser piores devemos dar graças por assim não serem.

Num quadro preto o giz escreve a branco tudo o que pode ser apagado. Na vida nada se apaga e tudo fica escrito preto no branco. Olhar o mundo e ver cinzento talvez seja forma de fugir à frieza dos factos, esperando sorrisos coloridos, como aquele, capazes de conquistar espaço no espectro luminoso.

As minhas são memórias coloridas. Para tal qual as manter, olho o mundo cinzento fingindo e fugindo mas sem ignorar as cores que rompem a monotonia cromática. E assim elas ficam gravadas; para sempre recordadas e certamente apreciadas. "Ela uma vez...", acaba assim?

1 comentário:

nazaré disse...

o fim discute-se no fim; no jantar falamos disso - so aì o saberemos! ;)
*nés