terça-feira, 24 de abril de 2007

Correm azuis do braço para a mão as veias que no pulso evitam a lâmina para se perderem na côncava palma sob as linhas imutáveis da vida, do coração, da cabeça e da fortuna. A quiromancia lê nas linhas passado, presente e futuro que delas escapa já definido – isto dito nas entrelinhas.

Dadas à palmatória, são as linhas que traçam o destino daqueles que nelas crêem. Os outros, os insatisfeitos, que crêem diferente, fazem por mudar o que em destino lhes calhou; e até a lâmina lhes serve para mudar na palma as feições e o traçado original das linhas.

Tidas na palma da mão delas dizem não sermos senhores. Mas as outras linhas, aquelas fora da nossa palma mas ao alcance da nossa mão, são vendidas como barreiras em tom de desafio; para que as ultrapassemos, sejam verticais ou horizontais, se em nós morar a verticalidade natural de indivíduos com horizontes largos.

Alinho anuindo. Olho em frente com um sorriso. Marco passo sem desalinhar mas marco pontos, e no fim da linha destroco a meu favor. Estou no bom caminho; independentemente do que dizem as linhas na palma da mão.

1 comentário:

ana disse...

Diz-se que se formos "fotocopiando" as palmas da mão ao longo da vida, verificamos que as linhas vão sofrendo mudanças...penso nelas como as "rugas" das mãos...vincos que vão separando esta ou aquela camada de musculo...de forma distinta. Lê-las, deve ser a forma poética que encontraram para a razão de existirem. Talvez por, e lembrando-me das impressões digitais, serem únicas...
...linha da vida, linha do coração... o que inventamos para alcançar o desconhecido...será que as linhas pelas quais nos regemos, ou princípios, ou directrizes ficam marcadas na palma da mão? No verso da alma? No subconsciente? Pensando que mesmo ao alcance da mão, permanecem na vontade...sem lâminas que as cortem...( talvez percam o fio antes de chegarem lá...)
Curioso mencionares linhas, mãos, e vermos o teu rosto... (lindo) :) :)