sexta-feira, 13 de abril de 2007

A queda do morango não resultou em tragédia. Tropeçou na ambiguidade, desprendeu-se de tudo e caiu; mas a sorte não o abandonou e o chantilly amparou-o na gravidade do momento. Nada se partiu e o morango não se magoou.

São as quedas que fortalecem a personalidade que se diz não medir-se aos palmos; mas então, e as quedas? Mais ou menos pequenas para os graves que caindo, mais ou menos pequenos, gravemente vão aspirando o ar sem expiar nem expirar. Será forte a personalidade de quem tende naturalmente para a queda ainda que sem tentação?

Obrigada ao abrigo da luz a tentação vai conspirando sem transpirar; e dessa conspiração nasce a ambiguidade que, em contra-mão numa via de sentido único, sem equívocos, provoca o acidente. O morango, que bem (nos) soube evitar o choque frontal com a ambiguidade, não evitou, no entanto, o tropeção que, do exagero do desvio, gravemente o puxou para o abismo.

Fada de um fado almofadado, fina flor a nata, aqui vestida de chantilly, salvando da perdição os que caem (talvez por ela) em tentação. Ambíguo o fado? Que sorte a do morango que assim sobreviveu para contar.

2 comentários:

ana disse...

...que sorte a do morango que sobreviveu para contar...esse que como dizes, cai mas não em tentação, vê-se em queda mais ( ou menos) livre num abismo, que não conhece de outra cor senão o branco...seja nata, seja açucar...

Acaba-se a época do morango...verifica-se a nostalgia na prateleira do chantilly...desencontros...

A foto está fabulosa...

Anónimo disse...

Agrada-me saber que o nonsense regressou ao nosso diálogo, Nuno. E que depois dá origem a estas histórias vagas sobre coisas concretas. Aparentemente inócuas, mas só aparentemente. Que a ambiguidade nos salve do abismo quando caímos em tentação - nada podia agradar-me mais como moral da história, e tu sabes.
Venham mais morangos.
bj,
Su