sexta-feira, 6 de abril de 2007

Três bocejos depois já não podia voltar atrás, superado o ponto sem retorno: estava oficialmente acordado, embora dormindo oficiosamente. Escovo dos dentes os vestígios recentes do café e de hálito fresco talvez o mundo pareça mais claro.

Claro o cinzento do céu, à primeira luz da manhã, que me acompanha enquanto vou pass(e)ando sem ver passar a muita gente que foi de férias. Poupando os passos deslizo até ao destino sem grandes paragens, para um dia de trabalho que parece parado no tempo.

Envelheço sem saber a razão dos bocejos e o ar vai mudando nos mesmos pulmões enquanto esfrego um olho cada vez mais vermelho que denuncia o pólen primaveril.

Quantos foram e serão os muitos dias como este, a Este do Oeste onde outros dias, que seriam diferentes, começariam também antes de escovar os dentes?

1 comentário:

Ana disse...

Gosto especialmente da forma como abordas o quotidiano, que no fundo é o de nós todos...a urgência de dormir, o ter de acordar e " abraçar" o dia conforme se nos dispõe...Seja a Este do Oeste, seja a Sul de tudo...ou a Norte de nada...