quarta-feira, 16 de maio de 2007

São gotas que viajam no vidro da janela. Pesam, frias e verticais, sobre a direcção a seguir na superfície transparente: concordam e decididas vão descendo. O vidro nem comenta o sucedido com a janela fechada.

Ninguém se pergunta de onde vêm nem para onde vão; talvez apenas se outras hão-de vir. Espreitando pela cortina que não é de ferro, pasma-se com o que do outro lado se plasma, quem vê o que transpira sem querer e sem saber.

Raios! Deste lado nada se plasma e a luz não é muita. Impermeável o pensamento cristalino de que aquelas gotas nunca chegarão ao destino; perder-se-ão pelo caminho sem pedir indicações.

Tudo se passa lá fora. Cá dentro muito é diferente mas pouco transparece. Vá-se lá saber se alguém espreita. Plasme-se.

Sem comentários: