segunda-feira, 11 de junho de 2007

Sucessões de insucessos são como um céu carregado de compactas nuvens cinzentas que lhe encobrem o azul. Em dias assim acendem-se mais cedo os lampiões que cabisbaixos nunca iluminam senão o chão.

Mudam-se os ventos, para desespero dos cabelos, levando para longe as nuvens e rompendo a cortina cinzenta que censura o azul. Levanta-se alguma poeira que vai escondendo muita coisa, mas os lampiões continuam cabisbaixos e só mais tarde serão ligados para iluminar o chão.

Taciturno de serviço, sem boleia para longe da melancolia, não cumpre horário porque, sem turno nem táxi, é efectivo a tempo inteiro. Demora-se sem saber porquê com simpática apatia de olhos postos no chão.

Não chegam os dedos para contar quantas vezes pensou que mais vale um pterodáctilo na mão do que dois a voar para a extinção.

1 comentário:

nazaré disse...

"Rien n'est confus, sauf l'esprit"... ja dizia o Réne.

*Nés