segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Durante a recente estadia na capital húngara, aproveitei para visitar o Szoborpark (Parque das estátuas), também conhecido como Memento Park. Os panfletos de propaganda anunciam este como o local ideal para se observarem os “restos da ditadura comunista”; lá podemos encontrar as estátuas impostas pelo regime comunista e retiradas das ruas após o seu fim.

Dizem não ser um museu sobre o comunismo mas sim sobre a queda do comunismo. Há diferentes formas de nostalgia, de lembrar e de esquecer.

Com foice para abrir a porta do Trabant de plástico e martelo para romper a cortina de ferro, hoje já não é assim porque se come pato em Varsóvia e o vermelho já não é moda.

Pesa o realismo socialista em cada uma daquelas estátuas gigantescas que agora se fazem companhia, sem o mesmo significado de outrora, longe do centro mas ainda assim disponíveis para sessões fotográficas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Voando alto a baixo custo pelo céu da Europa, da terra média a Budapeste são noventa minutos de alguma turbulência. Mas depois de esperar pelas malas e de as enfiar num taxi magiar que viaja a uma velocidade aproximada à da luz, é impossível ter medo de voar.

O Danúbio não o vi azul mas castanho; saído das margens e arrastando troncos de grandes árvores que às vezes apontavam ao casco dos barcos cheios de turistas e faziam dos cruzeiros no grande rio uma actividade aparentemente emocionante.

De Buda vê-se Peste do outro lado do rio aqui atravessado por nove pontes. No horizonte impõe-se o edifício do parlamento parcialmente em restauro e ladeado por torres de igrejas várias para todo o tipo de crenças.

Nas margens do Danúbio (quando a máquina fotográfica se recusou momentaneamente a exercer a sua função), não me sentei nem chorei mas, e porque nada acontece por acaso, vi Cristo numa escavadora parada nos semáforos. Aleluia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O que não falta no nosso mundo são divisões; habitat perfeito para os que, como eu, gostam de discriminar. Podemos então dizer que este mundo se divide entre aqueles que gostam de Coca-Cola e aqueles que gostam de Pepsi, entre aqueles que acham que foi penalty e aqueles que acham que “nem lhe tocou” e, obviamente, entre aqueles que acreditam em Deus e aqueles que são obrigados a acreditar em Deus.

“Que Deus te acompanhe!” é o suficiente para nos apercebermos que é verdadeiramente impossível estar-se um momento sozinho. Bom seria se Ele ajudasse lá por casa; enfim, que abandonasse a confortável e conveniente indiferença que O caracteriza e viesse, de vez em quando, lavar a louça, aspirar o pó ou até mesmo limpar os vidros das janelas. Podia ainda demonstrar alguma gratidão pela devoção incondicional dos mais idosos e ajudá-los a apertar os cordões dos sapatos, descer escadas e fazer-lhes companhia enquanto esperam horas a fio nos centros de saúde.

Nietzsche disse que Deus morreu; eu confesso que não sei. Admito que seja uma entidade suprema, causa de todas as causas, etc., mas, provavelmente, atravessa uma eterna crise de falta de confiança e não acredita nas Suas infinitas capacidades e omnipotência. Penso que Deus é ateu.

Se assim for, porque haveria eu de acreditar Nele? Talvez fosse mais aceitável Ele acreditar em mim ou num pacote de leite, num iPod ou num político português...não, talvez não fosse muito aceitável Deus acreditar num político português...