sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Relativamente à relatividade absolutamente nada pode dizer-se que possa considerar-se absoluto. Qualquer juízo está sujeito à subjectividade que lhe confere o sujeito/juiz; este sujeito, sujeito como todos os demais sujeitos, a uma subjectividade intrínseca, nada tem para dizer que possa considerar-se absoluto.

Tudo então é relativamente relativo; sujeito à subjectividade, entenda-se. Julgue-se por exemplo um juízo ajuizado por um ajuizado juíz: é subjectivo, por muito ajuizado que seja o juiz.

Quem pariu a subjectividade? Julgo ter sido o primeiro sujeito, por muito objectivo que fosse. Mas admito juízos diferentes; que se escrevam livros e se encham páginas de juízos ajuizados e distintos.

Hão-de um dia lembrar-se e pintar numa parede quem da subjectividade fez escola e na relatividade encontrou matéria de interesse. E no fim, absolutamente nada terá sido dito que possa considerar-se absoluto.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Num futuro pouco distante, provavelmente antes mesmo do degelo dos pólos e da saída do Madaíl do comando da Federação Portuguesa de Futebol, o ser humano irá perder os dedos; talvez conserve as mãos, mas no lugar dos dedos terá pinças, lasers e outros instrumentos tecnológicos bem mais actuais e úteis do que polegar, indicador e companhia.

Especialização não é espécie de árvore mas é impossível não ver os seus frutos. E a crer verdade que a necessidade faz o engenho e que a sobrevivência depende da adaptação, falta apenas saber o que faz engenheiros e o que estes fazem.

Sem dedos, o ser humano será produzido em série e absorvido pela máquina social. A identidade de cada um vai morar apenas no nome de baptismo atribuído numa oficina e não numa igreja, usando óleo em vez de água.

O orgulho de cada um medir-se-á pelo feedback e reconhecimento dos demais que partilham sorte idêntica e quando, olhando para o lado, for verificado um menor número de prefixos no nome do outro acessório da máquina social.