sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Agiotas, proxenetas e idiotas aqueles que dizem do alheio diferente do seu enquanto brilham apertados os botões no punho sem que descaia o nó da gravata.

Gratuito e sem sabor o lenocínio divino que voa de bocas bem calçadas onde moram dentes de ouro que mastigam o que os demais não conseguem sequer cheirar.

Papa tudo e ilude a plebe analfabeta substituindo com omega o beta sem que tal nem com vaselina alivie a dor anal que não é obra nem graça do Espírito-Santo, qual falso profeta.

Parábola da construção de casa sobre a areia e não sobre a solidez divina para que persevere a fé ainda que a única barriga que Deus encheu tenha sido a de Maria mas talvez isso não seja difícil de engolir quando nada mais se pode.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Não expirar ou pelo menos reviver; morrer e voltar para contar. Adiar o final para data mais conveniente ou para quando a vontade assim o entender. Não depender mas controlar; ter nas mãos o próprio destino e vencer a ordem natural das coisas.

Os evangelhos contam que Jesus, que não amava os cães mas também não tinha gatos, ressuscitou Lázaro. Nos anos 30 do século XX a revista Time contava que Robert E. Cornish experimentava ressuscitar os seus cães, baptizados com o nome de Lázaro, com injecções de adrenalina e anticoagulantes milagrosos. Mas se Cristo não era o responsável pela morte de Lázaro e apenas pelo seu regresso à vida, Cornish matava os seus Lázaros com overdoses de éter para posteriormente os tentar ressuscitar ainda que com resultados bem diferentes daqueles relatados nos evangelhos. Cristo subiu aos céus para se sentar à direita do Pai e Cornish sentiu-se no direito de pretender os céus.

Poucos anos antes das experiências de Cornish, o escritor russo Bulgakov escrevia satiricamente uma ficção sobre um rafeiro de nome Sharik que, vítima de um outro pretensioso cientista, após uma série de manipulações, transplantes e enxertos, acabava por transformar-se num homúnculo em nada superior ao rafeiro original.

Poucos anos depois alguns compatriotas de Bulgakov decidiram disparar para o espaço a cadela Laika que laika virgin sent to space for the very first time não soube rezar a madonna e desintegrou-se nos céus sem direito a sentar-se ao lado do Pai e antes de voltar a calcar a terra com as suas quatro patas. Nem Cornish nem Jesus seriam capazes de a ressuscitar...e, anos depois, um dos responsáveis pela trágica viagem sem regresso da cadela Laika confessou-se arrependido afirmando que o que haviam aprendido com tal experiência não justificava o cruel fim do animal...anos antes.
Dizem que é proibido...que o sentido é proibido. Mas que motivo haverá então para proibir o sentido? Procurar a luz que ilumina todo o sentido é um motivo mas isso nunca poderia ser proibido. Fará isto algum sentido?

O sentido foi então proibido. As luzes nada iluminam e tudo permanece na escuridão. Tudo é permitido mas o sentido não. Que sentido faz tudo isto então?

A proibição visa eliminar toda e qualquer questão. Se o sentido for proibido então não se fará luz e não haverá razão. Que será possível fazer então?

A questão da proibição do sentido parece acabar com a razão ainda que sem motivo mas o motivo que afinal só limita a razão apenas faz sentido se der origem a qualquer questão. Será então proibido proibir a proibição?