segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pestinha

14 de Maio de 1998 - 19 de Dezembro de 2008

Soube-lhe a cor antes mesmo de o ver. Foi por um anúncio deixado num hipermercado. Era cinzento. Fui vê-lo pouco tempo depois e confirmava-se: era cinzento! Logo percebi que nem sempre caía com as quatro patas no chão e que não era bicho muito equilibrado. O primeiro dia na nova casa passou-o na caixa transportadora aquecida pelo bafo quente de um Zappa muito curioso. Depois saiu da caixa para entrar na vida de todos nós...e para subir armários, roer fios eléctricos, arranhar sofás e comer o plástico das embalagens de Coca-Cola que não devia influir na suavidade do seu pelo cinzento. Teve um vida pacata dividida entre o sono e as refeições. Era um gato com som: respondia ao toque e comentava o que se dizia. Assustava-se facilmente e bastava até um simples espirro para o ver fugir num salto curto a poucos centímetros do chão por causa do excesso de peso. Tinha uma cabeça pequena onde moravam dois olhos em 'V' e dois dentes de vampiro demasiado grandes para espaço tão limitado; escondia-se com o rabo fora e com o resto do corpo também porque bastava esconder o nariz para crer ter-se mimetizado.

O veludo cinzento deixou de amaciar os sofás, já não aguça o nariz nas pernas dos bancos da cozinha e não aquece a cama onde dormia. O Pestinha morreu no dia 19 de Dezembro de 2008 com 10 anos de idade. O Pestinha nunca aprendeu a beber água e a prova disso era a gota que lhe molhava o queixo depois de cada tentativa. Vida demasiadamente curta mas suficientemente longa para deixar muitas saudades.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Precipitação líquida a da água da chuva; precipitações secas as nossas, que transpiram e que se condensam a partir dos vapores da excessiva concentração. Exaspero e desespero de mão dada vêem a chuva cair.

Entropia entupida leva-nos a lavar no bidé o que dantes se lavava na pia ou na bacia. Sem sabão esfregam-se os neurónios incitando processos criativos que nos fazem dançar sem par num equilíbrio precário.

Deslizando suavemente sem provocar grandes vagas deixa-se vago o lugar que nunca foi nosso, neste mundo precipitado onde, por caso ou acaso, precipitámos.

Este é um mundo ao contrário reflectido numa gota de água que nunca existiu. Concentrem-se, condensem-se e cansem-se...mas nunca desistam.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Oh Catarina, como foste tu capaz de dar a estes bifes o teu chá? Fora de mim andar fora de mão; o sentido não é esse mas o outro também não. Não é difícil saber onde ficam a embraiagem, o acelerador e o travão...mas não o de mão.

Carne para o pequeno almoço e até feijão; outra política e outra religião. A moeda diferente só dá confusão, o câmbio não é automático e o troco também não.

A rainha de hoje não é nossa mas continua a ser nossa a sua perdição: chá ou Porto, difere apenas a consequente oscilação. Mais ou menos sóbria, equilibra a coroa na cabeça e comanda os destinos da nação...ou será da união? A união faz a força mas esta mais parece uma união à força.

Entre mancs e scousers é constante a altercação, de costas voltadas partilham o London Taxi importado da capital da nação.