quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sou um ectoplasma víscido e viciado que desliza para fora da cama deixando vestígios de baba na fronha da almofada. Sou demasiado sólido para a água calcária do chuveiro. À luz da manhã a minha sombra é-me igual, ouve a mesma música e acompanha-me no ritual habitual.

Sou público nos transportes e promíscuo no caos da hora de ponta; encontro refúgio na tecnologia, também ela de ponta. Ninguém vê mas toda a gente aponta, hoje como ontem, vezes sem conta.

Exemplar social desta cultura ocidental considero acidental tudo o que leio no jornal. Trata-se apenas do habitual, usual, casual. Tudo bem, não faz mal. Amanhã pode nem ser igual. Mas nada é banal!

Despego com desapego de um emprego que cedo me deixará no desemprego. Sem medo, qual mancebo, digo que da crise não percebo, não o nego. E amanhã? Amanhã não haverá sossego mas continuarei fiel a este nosso credo.