quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lugar comum: Cruzam-se olhares por acidente no meio de tanta gente que vai passando indiferente olhando sempre em frente sem que se enfrente um ou outro ou até mesmo aquele mais indigente.

Sob um olhar oblíquo que julga não terem sido cumpridos todos os deveres reflecte-se a perda de todos os direitos numa vida torta e tormentosa onde as curvas mais sinuosas são também as mais insinuantes.

Difamado por um olhar infame um outro mais ou menos inflamado sem apelo nem agravo sente-se esmifrado e dobrado pelo peso do descrédito desenhado por desígnio da sorte ou por falta dela.

Assim se misturam as cores num infindável mundo de formas fluídas sem que se forme qualquer ideia sólida sobre o mundo cristalizado pelo incessante fluir do tempo para o convencional passado.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Previsivelmente, consolando o hábito e sem tirar-lhe o pó da tradição, a Primavera chegou no dia 21 de Março; à sua chegada, neste ano de 2009, em Milão, não se viam andorinhas: ouviam-se os AC/DC!

Quase duas horas sem pólens ou alergias num recinto completamente esgotado, repleto de gente e cheio de som.

Mas foi bom? Não se trata de saber se foi bom ou não. E agradou? Não se trata de dizer se agradou ou não. Não se trata, porque ou se esteve lá ou não e contado não é o mesmo. Não se trata de acreditar. Nem se trata de contar.

Poucas surpresas? Mais do mesmo? Talvez por isso seja tão especial. Talvez por isso marquem presença indivíduos de todas as idades. Talvez por isso a idade não pese. Nem pesam os hiatos que nunca são verdadeiras interrupções. Afinal, nunca se esteve longe se nunca se deixou de estar presente.

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