domingo, 14 de fevereiro de 2010

Naquela noite fria e sem lua havia de tudo um pouco menos e escondia-se tudo atrás de nada. Um cigarro veio à janela e acendeu alguém sem filtro que expirava fumo e gritava a plenos pulmões: "Arde-me o cancro que me vai comendo o papel!".

Numa estrada, para lá dos gritos abafados pelo isolamento, do outro lado da solidão, reflectiam os faróis de um anel fora do dedo que vinha até fora de mão e também fora de tempo. Nunca é tarde para se saber se se chega a tempo. Fora por estar fora? Talvez fosse…

Travaram ao longe e fizeram fumo escondendo assim tudo o que a seguir se passou. Ergueram uma parede temporária que encobriu a conspiração. Meteram os corpos na mala e seguiram para outras paragens. Perdeu-se tempo e nada se encontrou.

O cigarro voltou para dentro e, quando se aconchegava no aperto do maço, ouviu o grito de pneus no asfalto que morreram de seguida sob aquele céu escuro do qual a lua havia fugido.

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