terça-feira, 20 de abril de 2010

Mata a fome com as mãos. Rouba a cena sem irmãos. Age só pelos cantos e pela sombra. A porta abre-se à oportunidade. Acende a lâmpada sem génio e entra pela calada.

Desenrola os dedos no bolso e dá a mão ao exterior. A novela fala de um novelo velado acima de um cotovelo amputado sem dor e com sangue, nem vê-lo quente ou frio, que escorre até ao coto encharcando o velo.

Dor de cabeça ainda perdida com a perda dos dedos que já não coçam o que devem. Vão encontrar-se à noite em bares escuros e sujos, infestados e infectados onde se enrolarão em brigas com anéis, limas e corta-unhas.

Esvai-se anémico perante o inimigo que sorri a meias salientando as veias azuis antes de virar a página com um corte de papel que escapa ao seguro e fica a pensar na baixa médica que não lhe chegava ao ombro.