segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Era oficial: O arroz declarara guerra às batatas. As ervilhas, inocentes espectadoras, sofreram pesadas baixas que mais tarde se considerou serem meros danos colaterais. Grãos de arroz tentaram desertar mas nenhum sobreviveu: os que resistiram ao prato principal, não resistiram à vingança servida num prato frio de sobremesa.

A aliança no dedo que apontava para o bloco de apontamentos quebrou o silêncio e emudeceu meio mundo; a outra metade, sem cara foi cara a quem sacou o jogo. Especulou-se sem reflectir e o espelho debruçou-se sobre os reflexos apoiando os cotovelos sobre os joelhos.

Suspirou-se sobre a mesa e transpirou-se informação. Exalou-se o fumo de diversos cozinhados e exaltou-se a raiz do cabelo que nem cortado rente deixou de cair no prato. O ambiente era de cortar à faca e nem assim.

Era oficial: As batatas deram o arroz ao inimigo que estava já cheio de si. Hospitais de campo e filas intermináveis nas cantinas que serviam refeições quentes aos sobreviventes. Doentes e entes queridos, mortos, feridos e dentes partidos.

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