sábado, 7 de maio de 2011

Porque inspira o cadáver que não vê a escuridão que o envolve? E que direito tem o mundo de perturbar o seu descanso eterno? É arrastado para uma morte alternativa que muitos dizem ser vida mas mais não é do que tormento.

Sem lápide, não lhe reconhecem o direito de repouso. Dilacerado pelo hábito, é sangrado sem jeito por quem não o deixa ir. O melhor é um mal menor e sonha um dia não sonhar para poder finalmente descansar. Deseja um dia se esquecer; ser livre.

Comeram-lhe os olhos arrancados das órbitas irregulares e, agora cego como a justiça, não vê as cinzas quando tudo arde. A vida acabou um dia sem deixar recordações numa asfixa eterna de quem sempre quis respirar.

Putrefacto e estupefacto despe o facto e deita-se suspirando; expira um ar rarefeito que inspira futilidades neste mundo pouco perfeito resignado à corrupção.