sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Andara fulano na companhia de sicrano e beltrano pelas vias de Murano e Burano em tons pastel sem nata e sem pastel. O papel era o de sempre; o de cicerone em zonas labirínticas sem fauno nem fauna empenhado em não mostrar sinais de claudicar perante ligeiros desacertos e imprevistos menores.

Um olho novo captava as cores e impressionava um filme dos modernos que não é bem um filme; é um sensor sem censura que não se deixa ofuscar filtrando apenas o que interessa e sempre sem pressa.

Correra o dia sem certezas ou preocupações por lagoas e canais sem naufrágios nem rede. Encostara-se a luz à água sem flutuar porque seria inútil resistir e pensar no que isso iria custar; como fazer daquele líquido um vidro incandescente rasgando o horizonte.

Corto não apareceu e as pontes abraçaram paredes próximas onde moravam sombras e se escondiam memórias. Os gatos lambiam as patas com sorrisos cínicos e olhares indiferentes.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Não estar na moda é irrelevante quando não se sabe onde se está. Não reconhecer ninguém dificilmente faz de alguém um seguidor e dificilmente alguém assim será seguido. Tudo, pouco ou nada importa; eu cá ando perdido.

O corte de cabelo pode ser sempre o mesmo enquanto a barba arranha a indiferença. Os óculos de sol filtram para ambos os lados e o que se passa cá dentro não é claro. Basta lavar bem atrás das orelhas e usar meias do mesmo par.

Cruzar a perna é opcional. Falar línguas é giro. Derreter corações pode ser divertido. Brincar com tudo é infantil. A falta de memória contribui para a honestidade. O pão torrado leva manteiga só de um lado.

O relógio serve para ver o tempo passar. Chegar a horas é uma imposição. Podem ser aceites imposições. Há quem goste de negociar. Eu gosto de posições. O tempo passa e eu passo pelo tempo que me adia constantemente.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Nada de modernices; nada de cápsulas. O meu café tem que subir! Não carrego em botões nem faço parte do clube. É para mim um ritual, quase como o de viver alheio a redes sociais neste país vitimista, vítima da excessiva burocracia e asfixiado por políticas de e para gente foleira.

Às vezes vimos à tona para respirar. Às vezes subimos, como o meu café, e enchemos os pulmões de ar que ainda espera ser taxado. Tudo se consome; tudo é taxado; quase todos são comidos e os outros fazem de conta.

A cafeteira não é um tacho. O bóbi da vizinha chama-se lóbi e duas lésbicas já se podem divorciar se houver fome e pelos na cama. Uma Nação, um imposto, uma excepção. É tradição a traição e coçar as partes íntimas em público com a mão.

Sem colher, o açúcar mexe-se com o cabo do garfo. Lamber os dedos é pecado, mas só se forem um solteiro e o outro casado. O café sobe enquanto tudo se afunda e nenhuma cápsula nos pode valer.