terça-feira, 30 de abril de 2013

Era um local escuro e oco onde a pouca luz que filtrava parecia parar nas curvas para pedir indicações ao fumo que por ali morava perdendo-se de seguida nos olhos de todos os clientes habituais. A noite era especial e na plateia encontravam-se o filho de Deus, seus apóstolos e irmãos; todos bebiam com disciplina e em silêncio à espera do início do espectáculo.

Parker, improvisando o impossível, precisava de apoio para não se afastar do microfone enquanto soprava no saxofone de plástico. Alguém exclamou: "Olha o passarinho!" e a baronesa, que passava naquele instante, olhou por cima do ombro.

Monk tirou o chapéu e sentou-se ao piano depois de mais uma pausa para dançar. Atrás da cortina Coltrane abotoava a camisa imaginando um comboio que o levava para longe de navios que partem e naufragam.

Mingus, desalojado, arrancava sons às cordas em tensão e todos se sentiam intimidados enquanto procuravam documentar a ocasião.

sábado, 6 de abril de 2013

Selva urbana iluminada por ovnis e uivam lobisomens sem lua. O colarinho manchado dos vampiros não passa despercebido ao distinto canino que chupa o essencial.
 
São ruivas na aparência. Aparecem sempre as ruivas. De noite todos os gatos são pardos e as ruivas não; trincam lábios e bebem cocktails cor de sangue enquanto escorrem dedos finos por pescoços pálidos.
 
Rezam as lendas que as rendas levam a melhor mas os baixos vibram e a luz treme em locais cheios que transpiram o calor. O horror, o horror.
 
A conta em balas de prata e dentes de alho, semáforos intermitentes e a jugular pela vista está morta.