segunda-feira, 5 de maio de 2014

Descalço e sem açúcar, deixara para trás os campos de algodão e os outros, os que lá ficaram. Correu para o Sol pensando na Luísa e na Ana, vendidas aos americanos por outros piratas e mercenários de colarinho branco (opcional). Nem reparou em Papa Legba que, enquanto passeava os cães, o olhou de soslaio.
 
Deixou de procurar álibi ao ver que outros olhares furtivos e dissimulados naquela encruzilhada vitimavam também Vera que vinha do Sol vestida de verde voltando para si todas as atenções. As asas de cera não derreteram mas foram cortadas pelo vislumbre de uma gota que lhe desceu pela coxa brilhando imparável até morrer no tornozelo.
 
Calçavam a berma da estrada cabeças que falavam pelas costas de quem passava quando não havia ninguém a ver, imunes ao pó levantado pelos incautos que com pouca discrição por ali se aventuravam. As palavras que com atenção se ouviam eram alfinetes no coração de quem as não devia ouvir.
 
Rouge o Baton da boneca que passa despercebida e fica esquecida numa esquina qualquer que por estes lados se repetirá vezes sem conta. Ruge quem pode, antes que o som seja abafado pelo barulho branco que consome tudo o que não é estático.