terça-feira, 29 de julho de 2014

Morde o lábio para não trincar os dedos durante a evasão. Foge sem assinar a rendição até porque a guerra nem chegou a ser declarada. Capitular perante certos invasores traz por vezes mais graças e prazeres do que vãos triunfos plenos de orgulho mas com grandes baixas para ambos os lados.
Rufam os tambores. A cena desenrola-se em câmara lenta mas não há espectadores. Ninguém ouve a banda sonora e pesam-se os prós e os contras. Puxará dos galões o vencedor ou deixará cair por terra o ímpio uniforme?
Negoceiam-se as condições e acertam-se os termos. Um à frente e o outro atrás, um por cima e o outro por baixo sem que se cruzem os olhares. Desfraldado o estandarte, exibe-se com orgulho o pendão de quem hesita em afirmar-se vencedor.
O vencido sente-se praticamente um mero assistente, suado e usado; um participante passivo, um vulgar figurante num filme que ninguém confessa ter escrito. Não há quem compre bilhete, quem pense no intervalo ou pergunte onde fica a casa de banho.

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