Morde o lábio para não trincar os dedos durante a evasão. Foge
sem assinar a rendição até porque a guerra nem chegou a ser declarada.
Capitular perante certos invasores traz por vezes mais graças e prazeres do que
vãos triunfos plenos de orgulho mas com grandes baixas para ambos os lados.
Rufam os tambores. A cena desenrola-se em câmara lenta mas
não há espectadores. Ninguém ouve a banda sonora e pesam-se os prós e os
contras. Puxará dos galões o vencedor ou deixará cair por terra o ímpio uniforme?
Negoceiam-se as condições e acertam-se os termos. Um à
frente e o outro atrás, um por cima e o outro por baixo sem que se cruzem os
olhares. Desfraldado o estandarte, exibe-se com orgulho o pendão de quem hesita
em afirmar-se vencedor.
O vencido sente-se praticamente um mero assistente, suado e usado;
um participante passivo, um vulgar figurante num filme que ninguém confessa ter escrito.
Não há quem compre bilhete, quem pense no intervalo ou pergunte onde fica a casa
de banho.





