segunda-feira, 12 de março de 2007

Formas e conteúdo paladinos da definição, indefinida e independentemente da natureza da representação. Será forma de expressão o conteúdo da representação? Existe realmente ou é produto da imaginação? Transcendem-me as transcendências. É ou não.

Justificam-se com ideias, teorias incapazes de aplicação, representações fantásticas que se alheiam da realidade e, ainda assim, existem realmente. Dizem-se portas para o mundo que não o é, de sonhos e sensações que não o são. Alguém encontrou no quarto escuro o gato preto que não estava lá? Eu ainda não encontrei o quarto.

Separa-se a qualidade do objecto a que pertence; separa-se a ideia da sua representação; junta-se sal, duas colheres de pseudo e intelectualiza-se q.b.! Insensíveis aqueles que não percebem?! Dir-se-ia que a insensibilidade vai de mão dada com a falta de senso que, sendo bom se e só se for igual ao meu, deseja abraçar a sensibilidade daqueles que, menos obtusos e sem horizontes largos, não vêem o que todos vêem mas sonham sonhos que os demais não percebem.

Informam que enformam matérias brutas sem conteúdo em artefactos de sensibilidade superior e de senso unicamente bom. Impossível não terem Razão.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

A Terça é gorda; o amanhã é de cinzas. E dissimula-se hoje, com mais ou menos essência, a aparência de amanhã.

Nesta Terça não mora o rosário. Perdem-se as contas. Contam-se as perdas; brilhantes e lantejoulas, plumas e penas; num baile sem máscaras que não pretende esconder o que ninguém deixa de querer ver. E nos olhos sem máscara dançam os costumes.

É hábito o costume, sem fato, de facto. Penas pequenas suaves ao tacto de cor de véspera da Quarta de cinzas.

Contem-se as contas da Quaresma, quarenta até à Páscoa.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Nem padre, nem parede; nem quem confessa declarar o que professa. Crime ou pecado? Criminoso ou pobre diabo? Caído num inferno exíguo e apertado pela ambiguidade. Paradoxo ou aparência? Vago…

Vago é o lugar vago numa viagem interminável que se faz de pé. Insinua e goza, permanecendo vago, o lugar. Aparentemente inerte, prenhe de ócio, ao ponto de roubar as vírgulas e impelir a raiva que depois de nos invadir nos faz explodir se não conseguir sair. São, entretanto, devolvidas, as, vírgulas;

Use-se o que se tem à disposição ainda que não haja necessidade. Justifiquem-se assim as existências para que estas permaneçam. Evite-se a náusea mas procure-se o existencialismo. Se for útil, usando as vírgulas, abrace-se, se possível, o utilitarismo. Mas evite-se a sensação de “praticante” optando, em alternativa, pela de “frequentador ocasional”.

Dedicação incondicional pode originar fanatismos, e de “-ismos” já não precisamos. Afinal, temos o aval da alma para o abalo da mesma. Quem precisa seja do que for? A necessidade morreu e na contingência tudo é demasiado vago; nem a padres, nem a paredes confesso.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Um conto sobre o Arco-Íris que em tempos escrevi.

Três o ímpar que se segue.

Cinco vezes cem, o máximo de caracteres que me eram permitidos e...

Sete são as cores do arco-íris. Mas um dia que acordou molhado aos primeiros raios de sol, não tinha memória de todas as sete cores e viam-se apenas seis: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. Qual seria a sétima e para onde teria ido? Talvez o vento me venha dizer que viu a sétima cor do arco-íris; senão ficarão apenas seis. Para garantir a Verdade, Íris diz-me que de todas, o azul é quem mais ama violeta e que desse amor nasceu indigo, a sétima cor que por vezes foge à vista e à memória.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Vogando, vagueando, devagar, vagamente, trocando, às vezes, os vês pelos bês como se vê e não se bê; talvez na moda, mas sem remos e à deriva, esperando a vaga para devagar naufragar.

Terra à vista! Sacudir a areia dos olhos para acudir náufragos que antes de mim naufragaram. Ver que a ilha não é deserta e não faltaria companhia mesmo não sendo continental; é terra firme sob o firme firmamento que se afirma mais deserto do que esta ilha que não o é.

Preenchem-se os vazios sem pausas para o café, olhando o firmamento e filtrando a luz de estrelas solitárias que, essas sim, nos acompanham firmemente. É mítica a convivência eremítica que nasce da sorte sem olhar a fortuna e ignorando o acaso.

Por acaso, puro acaso, é caso de se pensar no caso. Que casual casualidade causa este caso? Dá-se o caso de ter como causa uma fortuita felicidade, imprevista mas bem vista, que rompe a monotonia da melodia como o virtuosismo de um solista.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

“Mãe é só uma” só se pensarmos na de cada um, de uma forma bastante específica e até redutora. Todos temos, para além da nossa mãe biológica, que no caso de termos irmãos também biológicos é partilhada, a inevitável partilha da Mãe Natureza da qual todos somos filhos; até as nossas mães...aquelas biológicas!

A Mãe Natureza é solteira, e o Pai incógnito. Aqueles mais crentes e, talvez até mais felizes, encontram o Pai numa entidade misteriosa muito discutida e raramente ou nunca vista. Será então que somos todos filhos bastardos? Se assim for, é realmente pesada esta herança que sobre nós paira e à qual a Mãe de todos nós nos condena; cruel, esta Mãe, é a mesma que ao pato, ave nobre que no arroz e com laranja é delícia para o palato de muitos, obriga à bigamia.

Todo o pato, excepto aqueles deficientes vítimas de amputação, tem duas patas; assim, por definição, bígamos graças à Mãe Natureza. Palmípedes alados voam para Sul ignorando a culpa pelo espalhar dos vírus. Bígamos, polígamos...digamos que são alheios à situação.

A vitamina C da laranja no arroz, sem o pato, e talvez até sem o arroz, talvez até ajude à cura. Mas quanto à bigamia, a do pato, por culpa da Mãe Natureza, essa obriga as patas a darem o arroz aos patos.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Mais vale um pterodáctilo na mão do que dois a voar para a extinção. Era uma Era e agora veio outra; como na Primavera, o ciclo da vida recomeçou, sob o signo da andorinha com ascendente em pterodáctilo.

Na tangencial à grande cidade da planície, o nevoeiro foi substituído por mosquitos que na canção voam como pássaros e, pelo menos por estas paragens, não lhes devem muito em tamanho.

Nevoeiro ou mosquitos, ou talvez até o smog em trânsito do trânsito em trânsito, não permite qualquer avistamento positivo de qualquer das abadias que os sinais informativos vão informando existirem nas proximidades.

O consumo aumenta. O tempo passa. A uva também; não aumenta mas passa. E no final o que fica? Mais vale...