sábado, 24 de março de 2007

Talvez por questões de equilíbrio e de manutenção, no final tudo se separa. “Crescei e multiplicai-vos” para que no final tudo se divida? Subtraia-se ao assunto a questão matemática para se evitar a adicção de outros problemas.

Se assim não for, que será do trigo, irremediavelmente minado pelo joio? Lentamente consumido, será que se rala? O grão não parece propenso a grandes aflições; mas rala-se o pão quando do trigo for feita farinha.

O pão vivo que desceu do céu acabou pregado numa cruz. Aparentemente, cá em baixo todos o preferem morto; talvez porque assim seja mais fácil de barrar com manteiga. Subtraiam-se as perversões e as excepções.

Semente, é porque não diz Verdade. E se assim é, melhor nada dizer. Da origem nascem os meios ainda que estes não justifiquem os fins. Inútil o Verbo quando falta a Palavra.

quarta-feira, 14 de março de 2007

O Sol põe-se e cai a noite sobre a grande planície. Raras vezes neste céu se consegue ver qualquer estrela. A culpa é do smog, dizem. Mas sei que estão lá, mesmo sem as ver, as estrelas. Fazem companhia à Lua, independentemente da fase.

Pode estar num quarto, cheia de novas. Porque a Lua tem fases e às vezes eclipsa-se. Pouco importa que se importem quando se eclipsa. Antes esteve e depois estará. Crescente e minguante, saltando de quarto em quarto...são fases.

Vai reflectindo a luz do Sol no lado escuro da Terra enquanto este brilha no outro lado. Invejosas as estrelas mais distantes, que firmemente a acompanham no firmamento nocturno, da luz que ela reflecte não ser a delas.

Influenciando marés, cairá ou não para a Terra? Manter-se-á em órbita e em constante reflexão. Encantos sem cantos, os quartos são dois, outras tantas as outras fases, que se repetem eternamente indiferentes à indiferença.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Formas e conteúdo paladinos da definição, indefinida e independentemente da natureza da representação. Será forma de expressão o conteúdo da representação? Existe realmente ou é produto da imaginação? Transcendem-me as transcendências. É ou não.

Justificam-se com ideias, teorias incapazes de aplicação, representações fantásticas que se alheiam da realidade e, ainda assim, existem realmente. Dizem-se portas para o mundo que não o é, de sonhos e sensações que não o são. Alguém encontrou no quarto escuro o gato preto que não estava lá? Eu ainda não encontrei o quarto.

Separa-se a qualidade do objecto a que pertence; separa-se a ideia da sua representação; junta-se sal, duas colheres de pseudo e intelectualiza-se q.b.! Insensíveis aqueles que não percebem?! Dir-se-ia que a insensibilidade vai de mão dada com a falta de senso que, sendo bom se e só se for igual ao meu, deseja abraçar a sensibilidade daqueles que, menos obtusos e sem horizontes largos, não vêem o que todos vêem mas sonham sonhos que os demais não percebem.

Informam que enformam matérias brutas sem conteúdo em artefactos de sensibilidade superior e de senso unicamente bom. Impossível não terem Razão.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

A Terça é gorda; o amanhã é de cinzas. E dissimula-se hoje, com mais ou menos essência, a aparência de amanhã.

Nesta Terça não mora o rosário. Perdem-se as contas. Contam-se as perdas; brilhantes e lantejoulas, plumas e penas; num baile sem máscaras que não pretende esconder o que ninguém deixa de querer ver. E nos olhos sem máscara dançam os costumes.

É hábito o costume, sem fato, de facto. Penas pequenas suaves ao tacto de cor de véspera da Quarta de cinzas.

Contem-se as contas da Quaresma, quarenta até à Páscoa.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Nem padre, nem parede; nem quem confessa declarar o que professa. Crime ou pecado? Criminoso ou pobre diabo? Caído num inferno exíguo e apertado pela ambiguidade. Paradoxo ou aparência? Vago…

Vago é o lugar vago numa viagem interminável que se faz de pé. Insinua e goza, permanecendo vago, o lugar. Aparentemente inerte, prenhe de ócio, ao ponto de roubar as vírgulas e impelir a raiva que depois de nos invadir nos faz explodir se não conseguir sair. São, entretanto, devolvidas, as, vírgulas;

Use-se o que se tem à disposição ainda que não haja necessidade. Justifiquem-se assim as existências para que estas permaneçam. Evite-se a náusea mas procure-se o existencialismo. Se for útil, usando as vírgulas, abrace-se, se possível, o utilitarismo. Mas evite-se a sensação de “praticante” optando, em alternativa, pela de “frequentador ocasional”.

Dedicação incondicional pode originar fanatismos, e de “-ismos” já não precisamos. Afinal, temos o aval da alma para o abalo da mesma. Quem precisa seja do que for? A necessidade morreu e na contingência tudo é demasiado vago; nem a padres, nem a paredes confesso.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Um conto sobre o Arco-Íris que em tempos escrevi.

Três o ímpar que se segue.

Cinco vezes cem, o máximo de caracteres que me eram permitidos e...

Sete são as cores do arco-íris. Mas um dia que acordou molhado aos primeiros raios de sol, não tinha memória de todas as sete cores e viam-se apenas seis: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. Qual seria a sétima e para onde teria ido? Talvez o vento me venha dizer que viu a sétima cor do arco-íris; senão ficarão apenas seis. Para garantir a Verdade, Íris diz-me que de todas, o azul é quem mais ama violeta e que desse amor nasceu indigo, a sétima cor que por vezes foge à vista e à memória.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Vogando, vagueando, devagar, vagamente, trocando, às vezes, os vês pelos bês como se vê e não se bê; talvez na moda, mas sem remos e à deriva, esperando a vaga para devagar naufragar.

Terra à vista! Sacudir a areia dos olhos para acudir náufragos que antes de mim naufragaram. Ver que a ilha não é deserta e não faltaria companhia mesmo não sendo continental; é terra firme sob o firme firmamento que se afirma mais deserto do que esta ilha que não o é.

Preenchem-se os vazios sem pausas para o café, olhando o firmamento e filtrando a luz de estrelas solitárias que, essas sim, nos acompanham firmemente. É mítica a convivência eremítica que nasce da sorte sem olhar a fortuna e ignorando o acaso.

Por acaso, puro acaso, é caso de se pensar no caso. Que casual casualidade causa este caso? Dá-se o caso de ter como causa uma fortuita felicidade, imprevista mas bem vista, que rompe a monotonia da melodia como o virtuosismo de um solista.