segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Oh Catarina, como foste tu capaz de dar a estes bifes o teu chá? Fora de mim andar fora de mão; o sentido não é esse mas o outro também não. Não é difícil saber onde ficam a embraiagem, o acelerador e o travão...mas não o de mão.

Carne para o pequeno almoço e até feijão; outra política e outra religião. A moeda diferente só dá confusão, o câmbio não é automático e o troco também não.

A rainha de hoje não é nossa mas continua a ser nossa a sua perdição: chá ou Porto, difere apenas a consequente oscilação. Mais ou menos sóbria, equilibra a coroa na cabeça e comanda os destinos da nação...ou será da união? A união faz a força mas esta mais parece uma união à força.

Entre mancs e scousers é constante a altercação, de costas voltadas partilham o London Taxi importado da capital da nação.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Agiotas, proxenetas e idiotas aqueles que dizem do alheio diferente do seu enquanto brilham apertados os botões no punho sem que descaia o nó da gravata.

Gratuito e sem sabor o lenocínio divino que voa de bocas bem calçadas onde moram dentes de ouro que mastigam o que os demais não conseguem sequer cheirar.

Papa tudo e ilude a plebe analfabeta substituindo com omega o beta sem que tal nem com vaselina alivie a dor anal que não é obra nem graça do Espírito-Santo, qual falso profeta.

Parábola da construção de casa sobre a areia e não sobre a solidez divina para que persevere a fé ainda que a única barriga que Deus encheu tenha sido a de Maria mas talvez isso não seja difícil de engolir quando nada mais se pode.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Não expirar ou pelo menos reviver; morrer e voltar para contar. Adiar o final para data mais conveniente ou para quando a vontade assim o entender. Não depender mas controlar; ter nas mãos o próprio destino e vencer a ordem natural das coisas.

Os evangelhos contam que Jesus, que não amava os cães mas também não tinha gatos, ressuscitou Lázaro. Nos anos 30 do século XX a revista Time contava que Robert E. Cornish experimentava ressuscitar os seus cães, baptizados com o nome de Lázaro, com injecções de adrenalina e anticoagulantes milagrosos. Mas se Cristo não era o responsável pela morte de Lázaro e apenas pelo seu regresso à vida, Cornish matava os seus Lázaros com overdoses de éter para posteriormente os tentar ressuscitar ainda que com resultados bem diferentes daqueles relatados nos evangelhos. Cristo subiu aos céus para se sentar à direita do Pai e Cornish sentiu-se no direito de pretender os céus.

Poucos anos antes das experiências de Cornish, o escritor russo Bulgakov escrevia satiricamente uma ficção sobre um rafeiro de nome Sharik que, vítima de um outro pretensioso cientista, após uma série de manipulações, transplantes e enxertos, acabava por transformar-se num homúnculo em nada superior ao rafeiro original.

Poucos anos depois alguns compatriotas de Bulgakov decidiram disparar para o espaço a cadela Laika que laika virgin sent to space for the very first time não soube rezar a madonna e desintegrou-se nos céus sem direito a sentar-se ao lado do Pai e antes de voltar a calcar a terra com as suas quatro patas. Nem Cornish nem Jesus seriam capazes de a ressuscitar...e, anos depois, um dos responsáveis pela trágica viagem sem regresso da cadela Laika confessou-se arrependido afirmando que o que haviam aprendido com tal experiência não justificava o cruel fim do animal...anos antes.
Dizem que é proibido...que o sentido é proibido. Mas que motivo haverá então para proibir o sentido? Procurar a luz que ilumina todo o sentido é um motivo mas isso nunca poderia ser proibido. Fará isto algum sentido?

O sentido foi então proibido. As luzes nada iluminam e tudo permanece na escuridão. Tudo é permitido mas o sentido não. Que sentido faz tudo isto então?

A proibição visa eliminar toda e qualquer questão. Se o sentido for proibido então não se fará luz e não haverá razão. Que será possível fazer então?

A questão da proibição do sentido parece acabar com a razão ainda que sem motivo mas o motivo que afinal só limita a razão apenas faz sentido se der origem a qualquer questão. Será então proibido proibir a proibição?

domingo, 24 de agosto de 2008

Ao final da tarde, enquanto o sol se põe, há quem se ponha a pensar nas razões que levam o nariz a arrefecer e nos motivos que levam os cães a manter o deles molhado.

Morder o lábio e procurar conter o cinismo não é desafio, é hábito. Não é criticável, é religioso; como para um monge penitente o arrependimento é habitual. Se assim não fosse, olhar-me-iam como que para um animal.

Straight, no chaser; e sem silicone. Quem não gosta, não come. E quem gosta também não. Antes animal que vegetal e já dizia Voltaire em Lettres de Memmius à Cicéron: “J’ai lu, dans un philosophe, que l’homme le plus grossier est au-dessus du plus ingénieux animal. Je n’en convient point. On achèterait beaucoup plus cher un éléphant qu’une foule d’imbeciles.”.

Não é insulto, é normal. Não é moral, é bestial. Vão-se os polegares mas quem quererá saber dos anéis?
A Croácia é um país torto com praias sem areia banhadas por um mar sem ondas. Na Croácia as fronteiras são fronteiras e na culinária incluem-se especialidades bósnias. Da Croácia não se consegue ver a razão que os levou a escolher um brasão axadrezado com quadrados vermelhos e brancos.

A língua nacional foi lavada a seco mas as nódoas não parecem ter saído e por isso usam-se a inglesa e a italiana. Neste país mede-se em metros, pesa-se em quilos e paga-se em Kunas.

Há cidades com nomes curtos e sem vogais onde pode fazer-se snorkelling em águas claras e amenas. Mas também as há com nomes compridos e complicados que fazem delas inacessíveis ainda que geograficamente pouco distantes.

Na Croácia há caminhos de cabras e cabras pelos caminhos. Por lá pode ainda ver-se fumar em locais públicos sem ter que se pagar bilhete e ninguém sabe o que é a ASAE.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Após um longo inverno de ausência termina o período de letargia, acelera-se o ritmo cardíaco e o sangue vai aquecendo nas veias enquanto a Primavera derrete o gelo nas montanhas.

Gota a gota morre o gelo no Tirol, condenado pelo equinócio primaveril e revela-se assim o que o frio do Inverno ocultou.

Não há cangurus (nem avestruzes) na Áustria. Mas enquanto derretem os glaciares alpinos, nos vales pastam as altamente inflamáveis vacas tirolesas que emitem metano nos tempos livres.

No final tudo acabará e, se o metano for a causa, a culpa será das vacas ou dos vegetarianos que recusaram comê-las.