quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Nada de modernices; nada de cápsulas. O meu café tem que subir! Não carrego em botões nem faço parte do clube. É para mim um ritual, quase como o de viver alheio a redes sociais neste país vitimista, vítima da excessiva burocracia e asfixiado por políticas de e para gente foleira.

Às vezes vimos à tona para respirar. Às vezes subimos, como o meu café, e enchemos os pulmões de ar que ainda espera ser taxado. Tudo se consome; tudo é taxado; quase todos são comidos e os outros fazem de conta.

A cafeteira não é um tacho. O bóbi da vizinha chama-se lóbi e duas lésbicas já se podem divorciar se houver fome e pelos na cama. Uma Nação, um imposto, uma excepção. É tradição a traição e coçar as partes íntimas em público com a mão.

Sem colher, o açúcar mexe-se com o cabo do garfo. Lamber os dedos é pecado, mas só se forem um solteiro e o outro casado. O café sobe enquanto tudo se afunda e nenhuma cápsula nos pode valer.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pondera hibernar, dormir para sonhar e acordar só quando tudo estiver bem. Sempre e para sempre, a realidade não pode ser verdade mas talvez seja. Não fui eu quem dormi e não conheço quem acordou.

Foi num sonho bom que os maiores pesadelos foram trocados por carícias e sorrisos. Foi numa manhã de chuva que o sol foi devolvido ao coração enquanto duas mãos se procuravam tristes por não se encontrarem.

Pudera adormecer, sonhar para descansar e não precisar de respirar sozinho. Nunca e nunca mais, a verdade é como o dia que se sonha mas não chega. Não tenho sono mas sinto-me exausto.

Foi num sonho bom que todos os problemas deixaram de o ser. Foi numa noite repetida vezes sem conta que a lua brilhou no escuro; de olhos fechados não vi mas consegui imaginar.

sábado, 7 de maio de 2011

Porque inspira o cadáver que não vê a escuridão que o envolve? E que direito tem o mundo de perturbar o seu descanso eterno? É arrastado para uma morte alternativa que muitos dizem ser vida mas mais não é do que tormento.

Sem lápide, não lhe reconhecem o direito de repouso. Dilacerado pelo hábito, é sangrado sem jeito por quem não o deixa ir. O melhor é um mal menor e sonha um dia não sonhar para poder finalmente descansar. Deseja um dia se esquecer; ser livre.

Comeram-lhe os olhos arrancados das órbitas irregulares e, agora cego como a justiça, não vê as cinzas quando tudo arde. A vida acabou um dia sem deixar recordações numa asfixa eterna de quem sempre quis respirar.

Putrefacto e estupefacto despe o facto e deita-se suspirando; expira um ar rarefeito que inspira futilidades neste mundo pouco perfeito resignado à corrupção.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Era oficial: O arroz declarara guerra às batatas. As ervilhas, inocentes espectadoras, sofreram pesadas baixas que mais tarde se considerou serem meros danos colaterais. Grãos de arroz tentaram desertar mas nenhum sobreviveu: os que resistiram ao prato principal, não resistiram à vingança servida num prato frio de sobremesa.

A aliança no dedo que apontava para o bloco de apontamentos quebrou o silêncio e emudeceu meio mundo; a outra metade, sem cara foi cara a quem sacou o jogo. Especulou-se sem reflectir e o espelho debruçou-se sobre os reflexos apoiando os cotovelos sobre os joelhos.

Suspirou-se sobre a mesa e transpirou-se informação. Exalou-se o fumo de diversos cozinhados e exaltou-se a raiz do cabelo que nem cortado rente deixou de cair no prato. O ambiente era de cortar à faca e nem assim.

Era oficial: As batatas deram o arroz ao inimigo que estava já cheio de si. Hospitais de campo e filas intermináveis nas cantinas que serviam refeições quentes aos sobreviventes. Doentes e entes queridos, mortos, feridos e dentes partidos.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Ainda por ver os verdes olhos que um dia me hão-de ver. Perdidos antes de encontrados, hei-de neles me rever para me perder se assim um dia se entender. Um sorriso desconhecido esmorece as defesas de um espírito que desvanece.

Sem pressa aparece a prece para se ver o que acontece. Tece-se a trama ou trama-se quem não o merece e cedem os joelhos, como os de alguém que perece, quando ela aparece, o sangue aquece e tudo o resto se esquece.

Encanto sublime em qualquer canto se sublima mesmo sem se ouvir o que canta. Delicada subtileza, invasora e desconhecida, brinca e abusa diluindo fronteiras e redesenhando os mapas de um mundo imaginário.

São momentos, são sempre, nunca foram mas hão-de chegar. Falha a razão atropelada pela emoção e consumida pelo coração. Talvez um dia, ou talvez não…

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vai pela sombra, meu filho, e afasta-te da luz desse sol que derreteu as asas de cera do ambicioso Ícaro. Abriga-te e veste a pele do cordeiro sem nunca seres um lobo mau. Alimenta-te bem mas não comas o capuchinho vermelho nem nenhuma outra menina menor de idade.

Endireita essas costas e olha sempre nos olhos quem cruzar o teu caminho pois serão esses que deverás recordar: serão esses que irão cuspir na tua cara! Tu não cuspirás para o chão nem na sopa que outros te darão. Sentar-te-ás depois das senhoras e pedirás licença para te ergueres…mas não esperarás até ao terceiro dia.

Certamente levarás bofetadas durante o teu percurso e caso queiras evitar que sejam o dobro em número, o melhor conselho que tenho para ti é que não deverás nunca dar a outra face.

No final as contas pagam-se, como aliás tudo nesta vida, e não terás qualquer desconto. No final serás vendido pelas moedas que os outros decidirem que vales e não por aquelas que julgas valer. No final perceberás que a justiça é cega mas também é estúpida.

sábado, 28 de agosto de 2010

English lesson:

The book is on the table.

The cat is under the table.

The bank owns the table, the book and the cat.