No dia 13 de Novembro de 2009 a NASA anunciou a descoberta de água na Lua.
Na noite de 14 de Novembro de 2009 acordei com sede.
Para quem acorda com sede durante a noite, a água que a NASA descobriu na Lua pouco interessa.
Durante um dia de Verão em Milão, enquanto o calor derrete o alcatrão, a população local opta por evaporar-se para mais tarde chover na planície numa noite de temporal. Em Milão no Verão há quebras de tensão e motins nas ruas provocados pela escassez de água com açúcar.
É-se do Porto quando lá se nasce. Passa-se pelo Porto quando por lá se está. E quando assim acontece somos saudados até pelas estátuas: à nossa passagem inclina a cabeça o Vímara Peres, tira o chapéu o Homem do Leme e o Garrett pisca o olho se mais ninguém estiver a olhar.
É como se para cá se chegar fosse necessário subir cem escadas sem degraus. É como se para cá se chegar fossem necessários quarenta dias mesmo evitando a etapa da ressurreição porque, como se sabe, a Via Dolorosa fica longe daqui e por cá ninguém carrega cruzes.
Lugar comum: Cruzam-se olhares por acidente no meio de tanta gente que vai passando indiferente olhando sempre em frente sem que se enfrente um ou outro ou até mesmo aquele mais indigente.
Previsivelmente, consolando o hábito e sem tirar-lhe o pó da tradição, a Primavera chegou no dia 21 de Março; à sua chegada, neste ano de 2009, em Milão, não se viam andorinhas: ouviam-se os AC/DC!
Obsceno este coração que vai nu sem preocupações, calejado de tantos tombos e empurrões; são muitas as quedas aparatosas e muitos são os arranhões. Esfola os joelhos e enche-se de vontade de morrer quando cai por tanto correr mas não tem cabeça para perder.
Bate o passo certo e passa certo sem hesitações por aventuras e desventuras preenchidas por alguma gente boa e muitos vilões. Ninguém o cura e ninguém o segura mas todos sabemos que a vida é dura. É pura fantasia a ilusão da alegria. É dura a pura simpatia dos que se vão sem alegria com tão pouca fantasia.
Segue correndo para se sentir vivo e, sem reparar nos remendos, espirra sangue, cospe amarguras e sacode a poeira. Não crê que a queda mais recente tenha sido a derradeira e não se lembra da primeira.
Todas as cicatrizes reforçam a memória e convidam a não esquecer. Não apontam culpados nem se explicam por si. São sinceras: não mentem mas também não dão respostas; insinuam-se passivamente e acumulam-se sem pedir autorização.