Mudam-se os ventos, para desespero dos cabelos, levando para longe as nuvens e rompendo a cortina cinzenta que censura o azul. Levanta-se alguma poeira que vai escondendo muita coisa, mas os lampiões continuam cabisbaixos e só mais tarde serão ligados para iluminar o chão.
Taciturno de serviço, sem boleia para longe da melancolia, não cumpre horário porque, sem turno nem táxi, é efectivo a tempo inteiro. Demora-se sem saber porquê com simpática apatia de olhos postos no chão.
Não chegam os dedos para contar quantas vezes pensou que mais vale um pterodáctilo na mão do que dois a voar para a extinção.

1 comentário:
"Rien n'est confus, sauf l'esprit"... ja dizia o Réne.
*Nés
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