Coração concreto dia amante duro cristal e no céu o laranja complementa o azul que paira sobre o gelo terreno enquanto gotas de água quente batem contra a dura testa que reprova a circulação.
A água que lava da pele os vestígios da experiência faz chorar as paredes e arrasta o tempo enquanto escorre inexoravelmente contrariando os ponteiros do relógio num hemisfério diferente.
A pele seca estala e acorda os vizinhos que preguiçam entre lençóis e almofadas resistindo à invasão de privacidade do obsceno perfume do café.
Num pulso sem punho nem botões aperta-se o relógio no qual pulsam ponteiros que assinalam indiferentes horas que se perdem em minutos diluídos em segundos para no final tudo desaparecer.


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